Historinhas
inhas
Dia 1
O bando dessa madrugada estava desfalcado. Os que apareceram ou estavam chateados ou frustrados depois de uma briga feia. A feira da quinta era um dia importante pro bando e seria bom se todo mundo tivesse aparecido. A feira ia se montando como de costume. Machokes e Machamps pegavam no pesado. Chikoritas ajudavam a amarrar as lonas. Nada de diferente.
O Raichu ficava na esquina, tirando serviço, onde antes era uma loja de roupa e hoje virou uma padaria. Ele convenceu o bando de que ali é um otimo lugar pra ficar de tocaia e que chegaria rapido se algo acontecesse. Mas era mentira, tudo que ele queria era nutrir a inveja que ele tinha com um Dachsbun da padaria, que aparentava ter uma vida boa, comida farta, que as vezes chegava na vitrine da padaria só pra olhar o movimento sem preocupação.
O resto do bando já estava pronto, Pichu e Pachirisu escondidos num canto esperando o sinal do Emolga que costumeiramente ficava escondido entre os galhos de umas arvores altas que ficavam num terreno dum casarão ao lado da rua onde acontecia a feira.
O plano era o mesmo de sempre, esperar o carro da banca de frutas chegar, e enquanto o dono montava sua banca, roubar o máximo possivel de frutas pra levar pro canto onde o bando se abrigava.
O carro chegou e Emolga deu o sinal. Pichu e Pachirisu se aproximaram do carro, Pichu segurava o saco enquanto Pachirisu enchia o mais rapido possivel. Raichu, vendo isso e receioso já que nem todo mundo estava ali, reoslveu mudar o plano com medo de que o quê eles conseguiriam carregar seria muito pouco. Ele começou a andar com todo cuidado que um Pokemon do tamanho dele poderia ter, mesmo sendo um pouco maior que a média.
Ele pensava que se conseguisse passar desapercebido até o carro, poderia encher mais o saco já que ele poderia carregar. Mas não foi bem isso que aconteceu. Assim que ele começou a andar rente à vitrine, um Squirtle que ficava na banca de verduras molhando de tempos em tempos a mercadoria pra mantê-la fresca, chamou a atenção para o dono da banca. Que começou a chamar pelo dono da banca de frutas, com a intenção de alertar que tinham ratos eletricos por perto, que por sua vez começou a ir em direção ao carro também.
Emolga, observando tudo do alto, de primeiro decidiu esperar um pouco mais antes de dar o sinal para sairem correndo (um pequeno choque numa lampada em que todos estariam prestando atenção); mas vendo que a situação não estava boa deu o sinal e como o que já não estava bom poderia piorar, piorou. A lampada estava velha e explodiu com a pequena sobrecarga, um Snubbul começou a latir, e o dono da banca de frutas apertou o passo e nisso percebeu Raichu. Pichu avisou Pachirisu que Raichu se tornou centro das atenções e ambos resolveram sair correndo.
O dono da banca de frutas, por não estar mais no lugar de costume montando sua banca, viu Pichu e Pachirisu e resolveu sair correndo atrás dos dois. Raichu, sendo o maior e mais forte, se meteu no meio, tentando permitir a fuga. Emolga acompanhava os dois corredores no chão, guiando por caminhos onde não tinha ninguém (o que era comum pra àquela hora da madrugada) até chegarem no esconderijo do bando, que não era longe dali. Raichu ficou para trás, mas tudo bem, pensaram. De qualquer forma era essa a função dele, além de que ele tinha chamado a atenção primeiro. Tudo isso se passou na cabeça de Pachirisu enquanto corria, estravazando todo rancor que sentiu depois da briga mais cedo entre o bando, na qual Raichu foi seu adversario. Mas ainda assim estava triste, olhando o pequeno Pichu correndo do seu lado. Se lamentanto pela vida que lavavam.
Emolga foi o primeiro a chegar no esconderijo. Pichu e Pachirisu logo em seguida. Dedenne foi o unico a recebê-los. Dedenne não tinha uma das patas. No lugar da pata estava uma ferida, feia, aparentemente mal tratada. Dedenne questionou sobre Raichu, mas todos ficaram calados, e um tanto cabisbaixos.
Passou-se uns 20 minutos. Já tinham colocado as poucas frutas que conseguiram roubar na pilha de comida “boa”. Pichu estava limpando o esconderijo; uma casa boa mas velha, que devia pertencer à pessoas com algum dinheiro e que viviam bem, tanto que a casa antes de ser abandonada era uma clinica medica. Foi por isso que tornaram ali seu novo esconderijo.
Não demorou muito e Raichu chegou, ferido. Contou que havia apanhado, mas nada além disso. Passou pela pilha de comida para ver como estava, e se recolheu num canto sentado. Dando breves olhadas discretas para Dedenne, com ar de preocupação.
Passou-se mais um tempo. Pachirisu estava impanciente porque os outros 3 do bando ainda não tinham voltado. Tinham ido embora depois da briga dizendo que iriam dar um jeito por conta propria. Falavam que não queriam depender da boa vontade nem dos descuidos dos outros para terem uma vida razoavél, já que uma vida boa de verdade parecia algo absolutamente distante demais para todos eles.
Essa briga não foi novidade, já haviam acontecido outras. Tampouco eram frequentes. Mas dessa vez havia uma tristeza maior no ar. Já era melancolia.